Talvez você ainda não conheça Michelle Abu pelo nome, mas com certeza já a ouviu tocar. Com mais de 30 anos de trajetória, a artista soteropolitana – que iniciou sua carreira na Banda Didá nos anos 1990 – consolidou-se como uma das maiores percussionistas de sua geração, acompanhando ícones como Elza Soares, Margareth Menezes e Arnaldo Antunes. Toda essa bagagem agora se traduz em “Qual é o Tambor”, seu segundo álbum autoral que estreia no dia 26 de maio pela Central Records.
No disco, Abu assume o protagonismo total: assina a composição e a produção musical das oito faixas, dividindo a última tarefa com os parceiros Matheus Câmara, Rovilson Pascoal e Xuxa Levy. Como observa Patrícia Palumbo no texto de apresentação, o trabalho revela uma multi-instrumentista que conecta a tradição afro-brasileira, a música urbana e a experimentação sonora, evidenciando o tambor como elemento cultural e político.
A pergunta que atravessa o álbum – “qual é o tambor que bate dentro de você?” – funciona como o eixo conceitual para uma série de colaborações poderosas. Michelle reúne desde a rapper Karol Conká e o coral indígena Os Guaranis, até a diva indie Catto e os músicos Otto, Lirinha e Paulinho Santos (membro do histórico grupo instrumental Uakti). A faixa de abertura, “Qual é”, parceria com Conká que já possui videoclipe, sintetiza essa fusão.
“Acredito no coletivo e nos encontros. A diversidade das manifestações culturais brasileiras foi a minha inspiração. Tem um samba de roda que fala sobre os bairros da cidade baixa em Salvador, onde eu nasci. Tem carimbó, pagodão, afrobeat com grooves de música baiana, um baião, um aguerê de Oxossi e uma balada rock – que, pra mim, é uma expressão não só musical, mas de atitude”, conta Michelle.
Produzido ao longo de três anos, o projeto floresceu de forma imersiva durante a pandemia, sem as pressões do tempo externo. O resultado é uma obra que combina precisão técnica e liberdade criativa, apresentando Michelle Abu de forma integral: percussionista, compositora, produtora e, finalmente, voz presente em sua própria obra.
“São 30 anos dedicados aos tambores. Um disco feito pra eles. Não existe música brasileira sem tambor”, conclui.





