“A Cantora Careca” – peça teatral escrita pelo dramaturgo Eugenio Ionesco, em 1950, tem sua concepção estética vinculada ao movimento e gênero denominado teatro do absurdo. Assim, o pensamento do teatro do absurdo propõe uma dramaturgia desprovida de sentido, lógica, racionalidade e de comunicação inelegível.
Em cena, personagens caracterizados colocam em contradição as convenções sociais por meio de sua linguagem non sense, que se realiza através de diálogos absurdos, os quais tornam a comunicação uma ação sem sentido e desprovida de significados. Dessa forma, em um pequeno apartamento no subúrbio inglês, o casal de classe média alta Sr. e Sra. Smith recebem a visita do casal Sr. e Sra. Martins.
Os personagens, representantes do modelo e estrutura social burguesa, estão presos em um ciclo de repetições, trivialidades e do vazio existencial, sendo a releitura e representação do encarceramento da sociedade contemporânea. Então, à medida em que os personagens vivem as situações, tornam-se provocadores e enunciadores das críticas sociais, simultaneamente, suas criticas recaem sobre eles próprios ao apresentar um mundo em desordem, ilusório, que não se comunica.
A concepção cênica retoma a realidade social mediante uma comunicação que não se comunica, onde a linguagem não diz, trazendo à tona as contradições da existência humana permeada pelos conflitos e desigualdades sociais. Imersos nesse ambiente em desordem, onde está a Cantora Careca?
A peça estará em cartaz no Teatro do Grupo Armação na Praça XV.
05 de junho, às 20h. / 06 de Junho às 20h. / 07 de Junho às 19h.





