Obras construídas a partir de velas de barcos e materiais náuticos descartados dão forma à nova exposição de Mauricio Muniz, “NAU – Vento Matéria”, que será aberta hoje, dia 14 de julho, na Galeria Lama, em Florianópolis. Com curadoria de Samantha Neves Hoffmann, a mostra apresenta um conjunto inédito de pinturas, objetos e uma instalação que articula a relação entre navegação, descarte, política urbana e a memória das paisagens costeiras transformadas por aterros. A mostra abre a partir das 19h e a entrada é gratuita.
Ao utilizar as velas como suporte pictórico, Muniz transforma resíduos volumosos em superfície de criação, propondo uma reflexão sobre o destino desses materiais que, embora ainda úteis, são frequentemente enviados a aterros sanitários. Tanto que o título da exposição nasceu disso. “O nome veio do meu material de trabalho, que tenho costurado desde há muito tempo, e da constatação de que a matéria-vento, que nem sempre é percebida por quem observa velas coloridas e veleiros em movimento, materializa o ar invisível. No fim da sua vida útil as velas são descartadas como matéria-lixo”, compartilha o artista que está trabalhando há três meses nas obras.
Integram a mostra, três objetos relacionados com o tema e um conjunto de 10 pinturas em tela, inéditas e de grande formato, feitas com material descartado de velame, tinta acrílica, massas de calafeto e outros tecidos usados em barcos. A instalação “Inundação”, construída em madeira, tecido náutico e cordames, retoma a discussão sobre o mar ‘inundado’ por aterros, uma crítica às decisões políticas irreversíveis que alteraram a geografia e a memória urbana. Exibida anteriormente no Museu Victor Meirelles, em 2013, e na coletiva “Disnexo-Mar”, em 2024, apresentada na galeria do Mercado Público, a obra ganha agora uma versão inédita, concebida para dialogar com a arquitetura da antiga sede do Clube de Remo, onde hoje funciona a Galeria Lama.
Esta é a segunda vez que Muniz expõe na Galeria Lama, após participar da coletiva “DISNEXO”, quando o espaço ainda funcionava na Avenida Hercílio Luz. Agora, ele espera que as obras “conversem” com o edifício e sua história, situado às margens de uma área onde o mar foi, um dia, substituído por aterro. Para o artista, a Galeria Lama é um projeto ousado e comprometido com a arte, características que reforçam a identificação construída desde a primeira exposição.
O projeto também carrega uma dimensão afetiva ligada ao veleiro “Terral”, adquirido por Maurício Muniz em 1986. A embarcação foi casa, ateliê e projeto de juventude, uma nau que acompanhou seu percurso até perecer diante das dificuldades de manutenção. Revisitar materiais náuticos, portanto, é também revisitar essa história, uma arqueologia pessoal que se transforma em obra e reflexão. “NAU – Vento Matéria” é, nesse sentido, um reencontro com aquilo que o vento moveu e que o tempo transformou.
“NAU – Vento Matéria” terá uma visita guiada no dia 18 de julho e uma oficina no dia 1º de agosto. A visitação poderá ser feita até 8 de agosto de 2026, de quarta a sábado, das 18h às 00h, na Galeria Lama, que conta com duas entradas, pela Rua João Pinto, 198 ou pela Rua Antônio (Nico) Luz, 159, no Centro de Florianópolis.





