Conhecer a produção de Ernesto Meyer Filho a partir das técnicas, pesquisas e interpretações de nove artistas contemporâneos. Essa é a proposta da exposição “Meyer Filho – O Calculista Delirante”, em cartaz no Memorial Meyer Filho, em Florianópolis.
A mostra integra um projeto comemorativo pelos 50 anos da Associação Catarinense dos Artistas Plásticos (ACAP) de Florianópolis. Assim, realizada em 2025, a iniciativa teve como objetivo revisitar a trajetória da entidade e lançar novos olhares sobre a produção de alguns de seus artistas fundadores, entre eles Ernesto Meyer Filho.
O resultado despertou o interesse de Sandra Meyer, presidente do Instituto Memorial Meyer Filho, filha do artista e responsável pela preservação de seu acervo e legado. Ela convidou a curadora Meg Tomio Roussenq para levar a exposição ao Memorial, onde permanece aberta à visitação até esta sexta-feira (24), com entrada gratuita.
Segundo Meg, a produção de Meyer Filho permanece contemporânea não apenas por antecipar questões estéticas, mas por construir uma poética da metamorfose que dialoga diretamente com temas urgentes da atualidade.
“Seus seres antropomórficos funcionam como espelhos deformantes, revelando a condição humana como um estado permanente de transformação”, afirma a curadora.
Os artistas e suas obras
Um dos aspectos mais interessantes da exposição é perceber como cada artista estabelece um diálogo particular com o universo de Meyer Filho, revelando diferentes leituras de sua produção.

Na pintura “Coruja Cósmica”, Ricardo do Rosário realiza uma arqueologia do imaginário ao investigar possíveis conexões entre a Ilha do Desterro e os cosmos extraterrestres. Já Larissa Arpana feminiza o universo marciano de Meyer Filho na obra “Ser Ostra de Vênus”.
Na fotografia infravermelha “Marte é Aqui”, Maria de Minas utiliza imagens do Deserto do Atacama para construir um manifesto de enraizamento. Dessa forma, seu trabalho propõe que as possibilidades de transfiguração do real surgem por meio de tecnologias perceptivas capazes de revelar a materialidade terrestre sob uma perspectiva extraterrestre.
Em “O Encontro dos Abduzidos”, Maria Esmênia imagina um encontro entre Meyer Filho e José, uma pessoa em situação de rua, no planeta Marte. A artista utiliza a fantasia cósmica para evidenciar as distribuições desiguais de direitos, espaços e pertencimentos na Terra.
Gelsyr Ruiz e Onildo Borba ampliam esse panorama ao explorarem, respectivamente, as dimensões queer e genética presentes no imaginário de Meyer Filho. Já Rodrigo Gonçalves apresenta uma instalação que traduz em matéria a lógica morfológica do artista homenageado: a transformação permanente.
Audrey Laus expande a figura do galo — alter ego fálico criado por Meyer Filho — para além do quintal de origem, tensionando a dimensão íntima da obra com as urgências da crise climática contemporânea. Então, Silvia Zanatta borda a memória dos galos de Meyer em alusão ao canto que anuncia a possibilidade de um novo dia.
Por fim, Sílvia Da Ros apresenta “Qui Omnia Videt” (o que tudo vê), uma narrativa poético-visual que reinsere Meyer Filho em sua própria paisagem: a Lagoa da Conceição. Nela, as criaturas de seus desenhos e pinturas parecem ganhar vida e partir em busca de seu criador.
A exposição “Meyer Filho – O Calculista Delirante” permanece em cartaz no Memorial Meyer Filho até esta sexta-feira, 24 de julho. A entrada é gratuita. O Memorial Meyer Filho conta com o apoio do Banco do Brasil, da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes e da Prefeitura Municipal de Florianópolis.
SERVIÇO
Exposição: Meyer Filho – O Calculista Delirante
Local: Memorial Meyer Filho
Visitação: até 24 de julho, segunda a sexta-feira, das 12h às 18h
Entrada gratuita





