Criar em Florianópolis um espaço gratuito de formação musical a partir do timbau é a proposta da Roda de Timbau Floripa, que realiza um novo encontro no dia 26 de setembro, conduzido pela percussionista chilena María Paz. A formação apresenta a linguagem musical do instrumento e trabalha técnica, percepção rítmica, coordenação, memória, escuta e, sobretudo, a capacidade de construir música coletivamente.
Mais do que ensinar sequências de batidas, as oficinas aproximam os participantes das diferentes possibilidades do timbau dentro de uma formação musical. O instrumento pode marcar células rítmicas, estabelecer diálogos com outros tambores, criar frases e integrar diferentes camadas sonoras dentro de uma mesma construção.
37 pessoas já passaram pelas oficinas da Roda de Timbau Floripa, reunindo participantes com diferentes níveis de experiência musical e também pessoas que tiveram ali o primeiro contato com o instrumento.
Para María Paz, os primeiros encontros têm mostrado justamente a força da proposta de aprender música de forma coletiva. “Tem sido muito bonito ver pessoas com experiências tão diferentes formando uma roda e construindo música juntas. Aos poucos, quem chega mais tímido ou achando que não vai conseguir começa a encontrar o ritmo, escutar o grupo e perceber que também pode fazer parte daquela construção. Poder acompanhar esse processo é uma das coisas mais especiais das oficinas”, afirma a percussionista.
Um tambor que ganhou os palcos
Na música popular brasileira, o timbau ganhou enorme projeção a partir da cena percussiva produzida na Bahia, especialmente no início dos anos 1990, quando Carlinhos Brown criou a Timbalada, no Candeal, em Salvador, reunindo um grande conjunto de percussionistas e colocando os timbaus no centro da identidade sonora e visual do grupo. Ao longo de sua trajetória, a Timbalada combinou a força da percussão com elementos do axé, reggae, funk, samba, rock, forró, merengue, carimbó e frevo, ajudando a levar aquela sonoridade para palcos brasileiros e internacionais.
A projeção do timbau dialoga com uma cena musical baiana mais ampla, marcada pela força das formações percussivas e dos blocos afro de Salvador. Grupos como Ilê Aiyê, Olodum e Ara Ketu tiveram papel importante na construção e difusão de linguagens rítmicas que atravessaram o Carnaval e chegaram à música popular brasileira. O resultado também aparece na maneira como a percussão passou a ocupar o palco. O tambor não aparece apenas sustentando a música. Assume protagonismo, cria frases, estabelece diálogos e ajuda a determinar a identidade de um arranjo.
Na percussão, aprender a tocar também é aprender a ouvir
Para María Paz, uma roda de percussão evidencia uma característica fundamental da música coletiva: ninguém toca sozinho, mesmo quando está executando a própria parte. Enquanto um participante mantém uma célula rítmica, outro pode complementar os espaços deixados por ela. Um terceiro acrescenta variações. Em determinados momentos, o grupo toca junto e, em outros, diferentes linhas se sobrepõem.
“Para que isso funcione, é necessário perceber pulsação, dinâmica, repetição, entradas, pausas e o que os outros músicos estão fazendo. Por isso, uma das experiências propostas pela Roda de Timbau Floripa é justamente transformar o aprendizado individual em prática coletiva. Os participantes não estudam apenas como produzir determinado som no instrumento, mas como utilizá-lo musicalmente dentro de uma roda. O processo envolve repetição, observação, memória corporal e escuta. Aos poucos, padrões que inicialmente precisam ser pensados passam a ser incorporados pelo corpo, liberando o músico para prestar atenção no conjunto, experimentar variações e participar de construções mais livres”, explica.
À frente das oficinas, María Paz é percussionista chilena radicada em Florianópolis, cuja trajetória musical inclui experiências na América Latina, Europa e Estados Unidos. Na Roda de Timbau Floripa, essa bagagem se encontra com uma formação voltada à prática coletiva e à troca de conhecimentos.
Serviço:
Roda de Timbau Floripa | Oficina gratuita de timbau
Quando: 26 de setembro, das 15h às 16h45
Onde: Instituto Arco Íris de Direitos Humanos – Tv. Ratcliff, 56, Centro, Florianópolis
Ministrante: María Paz
Participação: gratuita, mediante inscrição prévia





