"Minha Lua de Mel Polonesa" acompanha casal diante das memórias do Holocausto

Por Anna Rios
Cena de "Minha Lua de Mel Polonesa"

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Mundo Itapema

Comédia dramática francesa está em cartaz desde a última quinta-feira (29)

Por GaúchaZH

Marcando a estreia da atriz francesa Élise Otzenberger na direção, Minha Lua de Mel Polonesaentrou em cartaz na última quinta-feira nos cinemas brasileiros. Descendente de família judaica, Élise escreveu o roteiro (com Mathias Gavarry), inspirada em uma viagem que realizou com o marido em 2009 à Polônia. 

Em sua primeira empreitada comandando um set, Élise apresenta uma comédia dramática sobre a busca de origens, além de reverberar as memórias causadas pelo Holocausto da Segunda Guerra Mundial.

 par principal de Minha Lua de Mel Polonesa é composto por Adam, vivido por Arthur Igual, e Anna, interpretada por Judith Chemla – atriz que se destacou em filmes como A Vida de Uma Mulher (2016) e Camille Outra Vez (2012). 

Recém-casados e com origem judaico-polonesa, os parisienses deixam seu bebê com os pais de Anna e partem para a Polônia. Adam havia sido convidado para participar da cerimônia em memória da cidade de seu avô, que foi destruída em consequência da perseguição aos judeus pelos nazistas. Unindo o útil ao agradável, os dois encaram a viagem também como uma oportunidade de terem sua lua de mel.

Foi mais ou menos o que aconteceu com Élise em 2009: ela também foi à Polônia com o marido, com quem havia se casado há pouco tempo, para participar de uma cerimônia, e recém havia dado à luz um bebê. E, assim como Anna, a diretora sentiu a necessidade de descobrir mais sobre as origens de sua família, sem saber exatamente por onde começar. 

Raízes

Anna é puro entusiasmo na Polônia. Passa a se sentir polonesa (mesmo sem saber dizer uma palavra do idioma) e fica obcecada em descobrir mais sobre a vida de sua avó. Ela quer desesperadamente se reconectar com suas raízes. Em uma boa parte do filme, Anna age de maneira histérica e ansiosa. Por outro lado, Adam tem uma personalidade mais morna, inicialmente em negação com suas origens judaicas. É um personagem um tanto apático. 

Em dois terços de sua narrativa, Minha Lua de Mel Polonesa é uma comédia de um casal cometendo trapalhadas em um país estrangeiro. Dificuldades com a comunicação, frustrações com os pratos da gastronomia local, discussões de relacionamento, enfim, elementos humorísticos que poderiam integrar a trama de qualquer comédia pastelona. 

O casal principal acaba mais gerando antipatia do que afeição. Já no terço final, quando o longa envereda para o drama, Minha Lua de Mel Polonesa ganha vigor. A reflexão sobre a dor causada pela Segunda Guerra e a evolução de Anna destoam completamente dos outros segmentos. Torna-se um filme melhor. E deixa a sensação de que poderia ter sido inteiramente assim.

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