Veteranos Helen Mirren e Ian McKellen contracenam pela primeira vez no cinema

24.11.2019 | 10h15
Por Anna Rios
Helen Mirren

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Mundo Itapema

Titãs britânicos da atuação, atores já trabalharam juntos no teatro e agora protagonizam o filme 'A Grande Mentira'

 É a oportunidade que todos aguardávamos: a de ver dois veteranos da dramaturgia finalmente protagonizando o mesmo filme. A chance de ver a raridade está em "A Grande Mentira", longa baseado no homônimo livro de Nicholas Searle, de 2016, sobre um charlatão em busca da vitima perfeita para seu próximo golpe.

Ian McKellen, 80, vive Roy, charmoso, galanteador, mas aproveitador. Ele procura a próxima vitima para aplicar um de seus golpes e a escolhida é a ingênua viúva Betty, milionária, carente, moradora de um subúrbio londrino e interpretada por Helen Mirren, 74.

A oportunidade parece ser perfeita, mas as aparências enganam e "A Grande Mentira" é cheio de surpresas. O filme explora o que é verdade e mentira em um mundo dominado por aparências falsas, especialmente na era da internet e do namoro virtual.

Já no inicio do filme, os dois aparecem mentindo, enquanto criam seus perfis em um site de namoro. Roy faz da mentira um estilo de vida.

A reportagem visitou o set das filmagens de "A Grande Mentira", em Shepperton, ano passado, e  conversou com os atores. O ambiente era descontraído e muito profissional com os dois pesos-pesados conversando e gargalhando como dois amigos de longa data entre takes.

Os dois titãs da atuação são instituições britânicas que estranhamente nunca dividiram um mesmo filme.

A única vez que Mirren e McKellen trabalharam lado a lado foi na Broadway, há quase 20 anos.

"Eu lembro bem porque o ultimo ensaio foi no dia 11 de setembro de 2001", disse o ator, de bigode e vestido exatamente como Roy. "Helen e eu somos como irmãos, não há nenhuma tensão sexual", disse o ator calmamente. "O que é provavelmente bom em uma relação profissional, pois você não precisa se preocupar em estar fazendo a coisa certa o tempo todo", tentou explicar.

"Helen é bem direta. Se ela não gosta de algo, ela deixa bem claro", disse McKellen, acrescentando que Mirren se identificou com ele. "Ela disse que nós temos tanto em comum, que ela se sente mais à vontade de conversar comigo certos assuntos que com o seu marido."

Seriam os dois amigos fora de cena? "Não. Não somos amigos", disse McKellen, se corrigindo. "Mas acho que somos agora. Moramos tão perto um do outro", disse.

Mirren concorda: "Ian sempre fez parte da minha vida profissional, mesmo que assistindo de longe. Ele parece um velho amigo".

"Nós conhecemos pessoas em comum da época que éramos jovens", disse a atriz. "É estranho que nunca tenhamos trabalhado juntos no cinema. Mas não nos conhecíamos muito bem porque nunca estivemos na mesma companhia de teatro."

Bill Condon, que dirige o drama, é um velho conhecido de McKellen --os dois trabalharam juntos em "Deuses e Monstros", de 1998, "Sr. Sherlock Holmes", de 2015, e "A Bela e a Fera", de 2017. Entre as filmagens, ele falou sobre como é trabalhar com os veteranos.

"Helen tem um incrível conhecimentos de técnicas de filmagem e está sempre muito confortável diante das câmeras", ele explica. "Ian já é diferente, ele está sempre se transformando em alguém e colocando um disfarce."

"Eles têm ideias inesperadas a todo instante. Você acha que esse filme é uma comédia romântica geriátrica, mas vê que logo se torna algo bem diferente", disse o cineasta, quase murmurando para não interromper as filmagens.

"Condon é o tipo de diretor que eu gosto. Ele é rápido", elogiou McKellen. "Muitas vezes filmamos em um só take, enquanto com Peter Jackson eram 23", afirmou o Gandalf da trilogia "O Senhor dos Anéis".

Por GaúchaZH

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