Em seu 39º disco, o cantor e compositor canadense reúne releituras de canções que marcaram sua formação, do gospel e blues ao jazz e folk.
Com mais de cinco décadas de carreira, Bruce Cockburn revisita suas raízes musicais em The Blood of Others, novo álbum lançado pela Sunset Boulevard Records. O trabalho reúne interpretações de músicas de outros artistas que acompanharam sua trajetória desde a infância e ajudaram a moldar sua identidade musical.
O repertório percorre diferentes estilos, do gospel e blues ao jazz, ragtime e folk, reunindo canções descobertas muito antes de Cockburn começar a compor. A proposta nasceu de uma ideia que amadureceu ao longo dos anos, como explica o artista: “O que começou nos anos 1980 como uma ideia vaga cresceu, com o tempo, até se tornar um forte desejo de reunir uma coleção de músicas escritas por outros artistas, que permaneceram nas margens da minha paisagem musical”.
Entre as faixas estão “Wish I Was in Heaven Sitting Down”, de Robert Wilkins; “As Time Goes By”, clássico de Herman Hupfeld eternizado no filme Casablanca; “That’s Alright”, associado à trajetória de Elvis Presley; e “God Bless the Child”, composição de Billie Holiday e Arthur Herzog. Cada interpretação recupera referências importantes para a formação musical do artista, com arranjos que refletem sua personalidade.

O título do álbum faz referência ao romance homônimo da escritora e filósofa francesa Simone de Beauvoir, ambientado durante a ocupação nazista da França. Cockburn relaciona a obra à responsabilidade individual diante da opressão e às escolhas feitas em momentos difíceis, temas que considera pertinentes à proposta do disco.
The Blood of Others é o 39º álbum de uma carreira iniciada em 1970. Ao longo desse percurso, Cockburn recebeu 13 prêmios Juno e foi incluído no Canadian Music Hall of Fame e no Canadian Songwriters Hall of Fame. Entre suas composições mais conhecidas estão “Lovers in a Dangerous Time”, “Wondering Where the Lions Are” e “If I Had a Rocket Launcher”.
Com o novo trabalho, o músico transforma suas referências em uma espécie de memória afetiva, mostrando como as canções de outros artistas contribuíram para construir uma das trajetórias mais reconhecidas da música canadense.





