Uma criada que decide mudar de posição dentro de casa, um patrão que acredita estar no controle e uma série de estratégias para inverter essa relação. Escrita em 1733, “La Serva Padrona”, de Giovanni Battista Pergolesi, chega aos dias atuais preservando uma característica que ajudou a torná-la um marco da história da ópera: a capacidade de transformar relações cotidianas em comédia e provocar o público por meio dos conflitos entre seus personagens. E é essa obra que a Camerata Florianópolis leva ao palco do Teatro Ademir Rosa (CIC), no dia 25 de setembro, às 20h. Os ingressos já estão à venda no site da Blueticket.
A montagem terá regência do maestro Jeferson Della Rocca, direção cênica de Claudia Ondrusek, direção de produção de Maria Elita Pereira e participação dos solistas Carla Domingues e Douglas Hahn.
Uma pequena ópera que ganhou vida própria, “La Serva Padrona” foi composta por Pergolesi como um pequeno intermezzo cômico, destinado a ser apresentado entre os atos da ópera séria “Il Prigionier Superbo”. O que inicialmente funcionava apenas como um intervalo acabou conquistando o público e ganhou vida própria, tornando-se uma das obras que contribuíram para o desenvolvimento da ópera-bufa italiana.
Anos depois, sua apresentação em Paris esteve no centro da chamada Querelle des Bouffons, debate que mobilizou músicos e intelectuais em torno dos caminhos da ópera francesa e italiana.
A trajetória do próprio Pergolesi também é marcada pela brevidade. Nascido em 1710, na Itália, o compositor tinha apenas 23 anos quando escreveu “La Serva Padrona”. Três anos depois, morreu de tuberculose. Apesar de uma carreira curta, deixou obras que atravessaram os séculos, entre elas o célebre ‘Stabat Mater’ e a pequena comédia que se tornou um marco do teatro musical europeu.
Uma história do século XVIII que ainda provoca
Com libreto de Gennaro Antonio Federico, a trama acompanha Serpina, uma criada inteligente e determinada que não aceita permanecer em uma posição de submissão, e Uberto, seu patrão, que acredita comandar a própria casa. A relação entre os dois muda de rumo quando Uberto decide se casar para colocar ordem na própria vida e se livrar da influência da criada.
Serpina aproveita a oportunidade para colocar em prática um plano que envolve também Vespone, seu cúmplice. Por meio de encenações, ciúmes e jogos de aparência, ela conduz Uberto exatamente para onde deseja: a transformação da serva em patroa.
Por trás do humor, a ópera coloca em cena questões relacionadas às relações de poder entre homens e mulheres, diferenças de classe, controle nas relações afetivas e inversão de papéis sociais. São conflitos apresentados no século XVIII, mas que continuam reconhecíveis para o público contemporâneo.
Segundo o maestro Jeferson Della Rocca, a montagem da Camerata Florianópolis parte justamente dessa possibilidade de aproximação: “Queremos apresentar uma obra histórica sem afastá-la do presente, permitindo que o público reconheça nos personagens comportamentos, disputas e estratégias que continuam fazendo parte das relações humanas e, claro, dê boas gargalhadas”.
Em abril de 2016 a obra foi apresentada no Teatro do CIC e no ano seguinte, em maio de 2017, a Camerata apresentou gratuitamente “La Serva Padrona” no bairro Monte Cristo, em Florianópolis, no Ginásio de Esportes do CEDEP. A apresentação, que rendeu boas risadas e admiração do público, foi em parceria com o Instituto Pe. Vilson Groh.
SERVIÇO
O QUÊ? Camerata Florianópolis apresenta La Serva Padrona, de Giovanni Battista Pergolesi
QUANDO? 25 de setembro de 2026, às 20h
ONDE? Teatro Ademir Rosa (CIC), Florianópolis
INGRESSOS? Disponíveis pela Blueticket – Camerata Florianópolis apresenta La Serva Padrona, de Giovanni Battista Pergolesi – Teatro Ademir Rosa – CIC – Ingressos – Blueticket – ou na sede da orquestra – Rua Joe Collaço, 708, bairro Santa Mônica.





