Idealizadora do Roda de Timbau Floripa, a percussionista conduz oficina no dia 12 de setembro, levando vivências da América Latina, Europa e Estados Unidos
Entre salas de aula, centros culturais, festivais, projetos sociais, palcos e orquestras de diferentes países, a percussionista María Paz construiu uma trajetória em que música e formação caminham juntas. Nascida em Santiago, no Chile, e radicada em Florianópolis, a artista leva essa experiência para o Roda de Timbau Floripa, projeto gratuito de formação musical que realiza, no dia 12 de setembro, no Instituto Arco-Íris de Direitos Humanos, na Travessa Ratcliff, 56, no Centro da Capital, mais uma oficina de percussão.
Idealizadora do projeto, María Paz é percussionista, produtora musical e licenciada em Artes Musicais e Produção Musical. Sua formação atravessa diferentes tradições e linguagens, com estudos em percussão latino-americana, ritmos africanos, ritmos brasileiros, percussão afro-malinke, ritmos do Carnaval de rua, improvisação e metodologia de ritmo e percussão com sinais.
A trajetória internacional começou no Chile e ganhou novos territórios ao longo dos anos. Como artista e educadora, María Paz desenvolveu atividades em diversos espaços culturais, além de participar de experiências formativas e musicais no Brasil, Argentina, Portugal, Bélgica, Alemanha, Eslovênia e Estados Unidos. É justamente esse trânsito entre culturas, repertórios e formas de ensinar que atravessa sua atuação em Florianópolis.
Na Capital catarinense, María Paz passou a integrar a efervescente cena musical e percussiva da cidade, participando de diferentes grupos, projetos e experiências coletivas. Sua atuação aproxima referências latino-americanas, africanas, afro-brasileiras e da música de rua, ao mesmo tempo em que reforça a presença das mulheres como instrumentistas, educadoras, regentes e articuladoras de processos musicais.
Música como espaço de formação e encontro
O Roda de Timbau Floripa nasceu da relação entre prática musical, formação e experiência coletiva. O projeto vai realizar cinco oficinas gratuitas e quinzenais dedicadas ao timbau, com atividades voltadas ao aprendizado de ritmos, técnicas de execução, percepção, escuta e prática em grupo.
O primeiro encontro foi no dia 29 de agosto, com a participação de mais de 35 pessoas. A segunda oficina será realizada em 12 de setembro, das 15h às 16h45, no Instituto Arco-Íris de Direitos Humanos, na Travessa Ratcliff, 56, no Centro da Capital. “Mais do que ensinar a execução do instrumento, a proposta é trabalhar o timbau dentro de um processo coletivo de aprendizagem. A nossa metodologia combina fundamentos técnicos, exercícios, estudo de células rítmicas, desenvolvimento de pulsação e dinâmica, experimentação musical e construção em grupo,” afirma María Paz.
“Nos inspiramos em experiências de rodas de timbau realizadas em espaços públicos da Bahia e do Rio de Janeiro. Nossa ideia é criar, em Florianópolis, um espaço de formação e troca de conhecimentos relacionado às tradições percussivas e à cultura afro-brasileira”, explica.
O projeto também dialoga com o crescimento da percussão na cena musical de Florianópolis, especialmente a partir dos blocos de Carnaval de rua. Ao mesmo tempo em que esses coletivos ampliam o contato do público com instrumentos e repertórios percussivos, cresce também a procura por espaços onde seja possível aprofundar técnicas e conhecimentos específicos. É nesse cenário que o Roda de Timbau Floripa propõe uma formação dedicada ao instrumento, aberta tanto a pessoas que já possuem alguma experiência musical quanto àquelas que desejam se aproximar da percussão.
Uma trajetória dedicada também à educação
A dimensão educativa acompanha María Paz ao longo de sua carreira. No Chile, sua trajetória formativa e profissional passou por instituições e iniciativas ligadas à educação e à cultura. No Brasil e na Europa, também participou de oficinas, encontros, orquestras e processos de intercâmbio musical.
Além da educação, María Paz possui experiência como intérprete, compositora, produtora musical e regente. Sua carreira inclui turnês internacionais, participação em festivais e projetos de world music, trabalhos fonográficos e colaboração em produções audiovisuais. Essa diversidade de experiências ajuda a explicar a concepção do Roda de Timbau Floripa: não apenas uma sequência de aulas, mas um espaço em que técnica, repertório, escuta e convivência fazem parte do mesmo processo.
No dia 24 de outubro, quem vai comandar a última oficina é a percussionista baiana Lenynha Oliveira como professora convidada. Lenynha possui mais de 28 anos de trajetória ligada à percussão afro-brasileira e aos blocos afro da Bahia.





