Vinhos do Velho Mundo e do Novo Mundo: entenda as diferenças entre as origens da bebida

01.10.2019 | 11h12 - Atualizada em: 11.10.2019 | 07h12
Itapema FM
Por Itapema FM
Países como França, Itália, Espanha e Portugal têm tradição na produção da bebida, enquanto outros como Chile, Argentina, África do Sul e Brasil começam a se destacar cada vez mais.

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Confraria do vinho

Países como França, Itália, Espanha e Portugal têm tradição na produção da bebida, enquanto outros como Chile, Argentina, África do Sul e Brasil começam a se destacar cada vez mais.

Ao transitarmos entre apreciadores de vinho, é comum ouvirmos a expressão “velho mundo” ou “novo mundo”, remetendo às origens da bebida e aos países que desenvolveram posteriormente o cultivo de uvas e a produção da bebida. 

O “velho mundo” se refere aos países da Europa, especialmente França, Itália, Espanha e Portugal, que há séculos se especializaram na vitivinicultura e produzem vinhos apreciados no mundo todo. Já o “novo mundo” compreende países colonizados pelos europeus, que, principalmente ao longo das últimas décadas, investiram no cultivo de uvas e na produção de vinhos. Entre eles, Chile, África do Sul, Canadá, Austrália, Argentina e até mesmo o Brasil, que já figuram entre os maiores produtores de vinho do mundo, se destacando em premiações internacionais.  

O que são os “vinhos do Velho Mundo”

No Velho Mundo, os viticultores baseiam a cultura da uva no chamado “terroir”, que consiste nas características do solo, clima e região. Na produção, empregam pouca tecnologia, focando no conhecimento passado de geração em geração e explorando os elementos característicos do solo. 

Segundo o engenheiro de alimentos, mestre em aromas pela Universidade Federal de Santa Catarina e especialista em vinhos Alex Copetti de Araújo, foi no “velho mundo” que a indústria do vinho se desenvolveu. Por isso, não é surpresa constatar que é de lá que ainda saem os melhores vinhos do mundo. 

De acordo com Araújo, França e Itália disputam, ano a ano, a hegemonia do melhor e maior produtor, com diferenças nos tipos de uva e, consequentemente, no tipo de vinho produzido. Assim, a preferência também depende do gosto de quem aprecia a bebida.   

— Há quem prefira os vinhos franceses, tidos como os mais equilibrados e elegantes. Bordeaux, Bourgogne e Champagne são suas principais e mais respeitadas regiões. Da Itália, lembra-se sempre dos vinhos robustos, austeros, extremamente gastronômicos, utilizando uvas como a Sangiovese, ácida e com bons taninos, e a Nebbiolo, fazendo os grandes Barolos e Barbarescos — explica. 

A Espanha também produz uma infinidade de vinhos modernos e frutados, cujos valores são atrativos.

  — São preços bem abaixo daqueles praticados há alguns anos, quando o governo de lá mandou cortar imensos hectares de vinhedos, devido à crise, que mantinha porões repletos de vinhos — conta. 

No país, as regiões de Ribera del Duero e Rioja são as mais conhecidas na produção de vinho. 

— É de onde saem Tempranillos de altíssimo corpo, intensa fruta e taninos redondos. As Cavas também levam a fama do país mundo afora, oferecendo espumantes frescos e com caráter — explica. 

Já Portugal, embora seja um país geograficamente pequeno, produz vinhos em todas as regiões. Conforme Copetti, nos últimos anos, o país foi o que mais ampliou a participação no mercado de vinhos brasileiro. 

— De terras irmãs nossas saem vinhos fabulosos. Vinhos modernos, estruturados e firmes nos tintos; frescos e leves nos brancos — comenta o especialista, que também destaca o famoso vinho do Porto, os vinhos verdes e os produzidos na região do Alentejo, que têm se destacado em todo o mundo.   

— Os vinhos da região do Alentejo, mais fáceis de se beber, caíram nas graças dos consumidores. E os famosos Vinhos Verdes, especialmente os feitos com a uva Alvarinho, enchem de perfume os ambientes e entregam acidez na boca, deixando cada gole mais prazeroso — comenta Copetti. 

Vinhos do Velho Mundo e do Novo Mundo entenda as diferenças entre as origens da bebidaPexels

Novo Mundo se destaca com produções modernas

O “Novo Mundo” remete aos países mais jovens, antigas colônias europeias que se especializaram na produção de vinhos posteriormente. Entre esses países estão Estados Unidos, Austrália, Canadá, Uruguai, Nova Zelândia, Argentina, Chile, África do Sul e o Brasil. Enquanto no Velho Mundo a produção é baseada na tradição, o novo mundo tem como característica o investimento em tecnologias que possam favorecer desde o cultivo das uvas até a produção dos vinhos, como colheita mecânica e irrigação industrial.

Entre tentativas e erros, os produtores de vinho do novo mundo foram testando a adaptação de uvas que já produziam vinhos conceituados, como cabernet sauvignon, tannat, carmenère e sauvignon blanc nos diferentes países. Pelo clima e geografia de cada país, somados a tecnologias empregadas na produção da bebida, os vinhos destes locais conseguiram se destacar e ganhar alta qualidade.

De acordo com o enólogo Renato Rita, cada país foi experimentando o cultivo de diferentes tipos de uvas. Assim, a fabricação de vinhos se deu conforme os tipos que melhor se adaptaram. 

Enquanto o Chile se destaca pelos vinhos cabernet sauvignon e carmenère, a Argentina é conhecida pelo malbec e o Uruguai pelo tannat. Além disso, embora todos fabriquem outros tipos de vinhos, há alguns que se adaptam melhor. No caso de Santa Catarina, uma das uvas que se adaptou bem e cujos vinhos têm se destacado, é a sauvignon blanc, uma uva branca. 

 

Vinhos do Velho Mundo e do Novo Mundo entenda as diferenças entre as origens da bebidaThiago Ghizoni/Diário Catarinense

Diferenças que aparecem nos rótulos

Um ponto que vale destacar na hora de identificar vinhos é que os do Velho Mundo trazem no rótulo o nome da região da vinícola, e não das uvas. Para esses produtores, o local da produção é mais importante do que a uva em si. 

Já no Novo Mundo, é característico encontrar o nome da uva no rótulo, como cabernet sauvignon e sauvignon blanc. Os vinhos que são identificados pelo nome da uva são chamados de monovarietais. No Novo Mundo, como também ocorre em Santa Catarina, também são testadas misturas de uvas, cujo rótulo costuma trazer um nome específico, geralmente batizado pelo produtor. 

Apesar do pouco tempo de tradição, os países do Novo Mundo têm conquistado espaço tanto no mercado de vinhos e também entre os apreciadores da bebida, embora ainda seja possível crescer muito e se destacar ainda mais.

Em Florianópolis, é possível degustar vinhos de diferentes partes do mundo na Confraria do Vinho, evento da Itapema FM que traz encontros que combinam vinhos de qualidade, alta gastronomia, boa música, arte contemporânea e networking em Florianópolis. 

O evento harmoniza pratos da alta gastronomia com vinhos e espumantes de diferentes partes do mundo e é o momento ideal para aproveitar uma noite descontraída na Alameda Casa Rosa, um dos espaços mais conceituados da Capital. Os ingressos já estão à venda pelo site Blueticket. 

O quê: Confraria do Vinho Itapema 2019

Datas:

4ª edição – 10/10

5ª edição – 07/11

6ª edição – 12/12

Horário: 20h.

Onde: Alameda Casa Rosa (Rodovia Admar Gonzaga, 3401 - Itacorubi, Florianópolis)

Ingressos: R$160. Podem ser adquiridos no site Blueticket ou nos pontos de venda (Siqlo Beiramar Shopping, Bellacatarina, Decanter, O Padeiro de Sevilha, Geração Hyundai, Escritolândia SC 401 e Jazzinn).

 

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