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Escola Sonora leva apresentações gratuitas a estudantes de Florianópolis

Maria Coelho Por Maria Coelho
02/07/2026
Tempo de Leitura: 3 mins
Escola Sonora leva apresentações gratuitas a estudantes de Florianópolis

Projeto Escola Sonora / Crédito: Amanda Ramos

   

Toda criança carrega uma memória sonora. A voz de alguém querido. Uma cantiga repetida muitas vezes. O barulho da chuva na janela. As palmas de uma brincadeira. O som dos passos no corredor da escola. Antes de compreender partituras, notas ou instrumentos, a criança já escuta o mundo e responde a ele.

É desse lugar sensível, onde a música encontra a infância de um jeito espontâneo, que o Escola Sonora – Transformando vidas através da música segue sua temporada de 2026. O projeto leva apresentações gratuitas a 25 escolas públicas da Grande Florianópolis, totalizando 50 apresentações até dezembro, sempre nos dois períodos de aula, para que mais estudantes possam viver essa experiência.

Nesta 7ª edição, o projeto se inspira na obra de Hermeto Pascoal, artista brasileiro que ensinou o país a encontrar música nos sons do cotidiano. Em seu universo criativo, a água, os objetos, a natureza, a voz, o corpo e o ambiente também se tornam composição. Nas escolas, essa inspiração chega em uma linguagem próxima, lúdica e possível. A criança é convidada a perceber a música no que toca, na escuta, na imaginação e no sentir.

Durante as apresentações, os estudantes participam de um encontro com os sons, com os colegas, com os artistas e com a própria curiosidade. A musicalização aparece como presença, como uma pausa no cotidiano da escola para lembrar que aprender também passa pelo corpo, pela escuta, pela emoção e pela possibilidade de criar.

Pesquisas nas áreas da educação e da neurociência têm apontado a importância da participação ativa em experiências musicais na infância. Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Psychology, conduzido por pesquisadores da Northwestern University, observou que o envolvimento prático com a música pode contribuir para o desenvolvimento da linguagem e da escuta em crianças, especialmente quando elas participam ativamente da experiência, e não apenas ouvem passivamente.

Para a idealizadora do projeto, Elena Ribeiro, levar música para dentro da escola pública é também um gesto de cuidado. “A gente nunca sabe exatamente o que uma apresentação vai despertar em uma criança. Às vezes é uma pergunta, às vezes é um brilho no olhar, às vezes é a descoberta de que ela também pode criar. O Escola Sonora nasce desse desejo de chegar perto, de mostrar que a música pode estar na sala de aula, no corpo, na voz, no som de um objeto, na escuta de cada criança. Quando a música entra na escola, ela abre um espaço muito bonito de encontro”, destaca.

A acessibilidade também faz parte desse compromisso. As apresentações contam com interpretação em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para que estudantes surdos possam acompanhar, compreender e participar da experiência artística. A presença da Libras amplia o alcance do projeto e reforça a ideia de que o acesso à cultura deve considerar diferentes formas de comunicação, de presença e de pertencimento.

Para a intérprete de Libras Jéssica Cardoso, da InterPrêta, a acessibilidade altera a forma como a criança vivencia aquele momento. “Quando existe Libras, a criança surda não está apenas no mesmo espaço. Ela entende, acompanha, interage e se reconhece como parte do que está acontecendo. A arte também é lugar de pertencimento. E quando a escola inteira vê essa acessibilidade acontecendo, todos aprendem um pouco mais sobre respeito, presença, diversidade e inclusão”, afirma.

Ao longo do ano, o Escola Sonora segue sua circulação pelas escolas da Grande Florianópolis levando música, escuta e imaginação a estudantes que, muitas vezes, têm ali um dos primeiros contatos com uma apresentação artística pensada especialmente para eles. Em cada escola, o projeto deixa uma lembrança. Um som que pode continuar ecoando depois que os instrumentos são guardados.

“Porque musicalizar uma criança também é oferecer a ela outra forma de perceber o mundo e de se perceber nele”, finaliza Elena.

Próximas apresentações

08 de julho
CEM Governador Vilson Kleinubing
Forquilhas, São José

14 de julho
NEM Professora Verônica Guesser Pauli
Rachadel, Antônio Carlos

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